Vamos falar sobre Star Wars Battlefront 2? [SEM SPOILERS]

/ por Rafael Nery /

Confesso que já iniciei esse mesmo texto diversas vezes, e sempre me pego na maior dúvida que Star Wars Battlefront 2 causa em todos nós, fãs da saga criada por George Lucas: o que comentar sobre esse lançamento da Electronic Arts? Muita polêmica foi levantada sobre as microtransações em jogo, que “obriga” (ênfase nas aspas) os jogadores a gastarem mais dinheiro para desbloquear personagens, customizações e conteúdos que complementam a experiência. Se as críticas não estavam focadas nisso, com certeza encontrávamos comentários sobre a história não ser simples, morna e muito abaixo do esperado. E o que eu acho disso tudo? Que Battlefront 2 é um dos melhores jogos da franquia desde os títulos lançados pela Bioware, na década passada.

Com foco em Iden Versio, interpretada pela atriz Janina Gavankar, com certeza responsável por dar peso à forma como os acontecimentos se desenrolam por quase oito horas de jogo, nós conhecemos um pouco do Esquadrão Inferno. Seria muito bom conhecer a origem desse trio de soldados imperiais, formado pela Comandante Versio, Del Meeko e Hask, mas infelizmente não é o que temos; nós já pegamos o bonde andando e, após as primeiras sequências um tanto quanto cinematográficas, acompanhamos os acontecimentos a partir da explosão da Segunda Estrela da Morte. Vendo tudo de Endor, assumimos o controle de Iden e “finalizamos” os assuntos do Império no planeta para escapar à bordo da nave Corvus, e sob comando do seu pai, Garrick Versio. A partir de então seguimos em missões para minimizar o avanço da Aliança Rebelde, tentar manter a última e secreta missão do Imperador e seguir com a ideologia do Império pela Galáxia. Tudo isso enquanto um vácuo de poder começa a ser criado e explorado nos livros da trilogia iniciada em Marcas da Guerra, e que justificam bastante a postura do Almirante Garrick Versio.

O legal de tudo é saber que a publicidade do jogo não mostrou muito do que acompanhamos na jornada de Iden! A história consegue amarrar acontecimentos da Trilogia Prequel e, principalmente, resultados das ações de Luke, Leia e Han, na Trilogia Clássica; inclusive você poderá encontrá-los no jogo, mas não comentarei mais nada por conta de spoiler. A graça é descobrir a influência de cada personagem no caminho trilhado pela Comandante do Esquadrão Inferno. Toda essa interferência também acaba fazendo com que Battlefront 2, mesmo após dois anos passados desde o primeiro jogo e retorno da franquia, explique o que aconteceu em Jakku, e após a missão em Vardos o jogo apresenta o mais importante e gratificante plot twist no roteiro.

Viu como o conteúdo criado para a história desse jogo consegue ser bom o suficiente para chamar a atenção até mesmo dos fãs mais exigentes? E acredite, isso tudo só é possível através da ótima construção de personagem, não só de Iden Versio, mas também de Del e Hask. Como nem tudo são flores, o jogo peca por criar uma aventura muito rápida, deixando para o DLC que será lançado na semana antes do Episódio VIII a esperança de descobrirmos mais sobre essa história complementar aos livros e filmes já lançados. Arrisco dizer que o game é um importante nó para amarrar o que a Disney fez com o Universo Expandido ao tentar aumentar ainda mais o que, até então, era tudo novidade. Ao colocarmos os ótimos personagens criados para esse jogo ao lado de uma narrativa crescente e bem construída, com gráficos dignos da nova geração de consoles e que abusa do fotorrealismo, com certeza é um game que merece sua atenção, mesmo em um ano repleto de excelentes lançamentos.

Para complementar e não cair no erro do jogo anterior, que não trazia uma experiência single player com foco no modo história, o frenesi das partidas online retornam ainda melhores. Dessa vez temos o destaque com o Ataque Galáctico, em que você participará de partidas com 40 jogadores e com diversas missões, complementadas com expansão do mapa; você também terá a oportunidade de voltar aos primórdios dos jogos de Star Wars com Ataque com Caças Estelares, que amplia o modo apresentado em 2015, que contava apenas com combate feito por naves espaciais da franquia, para algo mais completo e com desafios pré-estabelecidos que exigem atenção, trabalho em equipe e habilidade para sobreviver nas órbitas dos principais planetas da saga. O já famoso formato Heróis vs. Vilões está de volta, para jogar com os personagens preferidos da série e dessa vez finalmente com Rey e Kylo Ren, além de Yoda, Darth Maul, Lando e outros personagens, alguns nem tão queridos assim, mas que diversificam o gameplay e prolongam as horas de jogatina. Não que seja o meu foco ou preferência, mas ainda existem o modo Ataque e Batalha, com o básico do “conquistar e defender”, além do habitual e insuportável mata-mata frenético.

 

Depois de tudo isso, o sentimento que fica é que a EA, mesmo errando feio na estratégia de como ofertar conteúdo extra, mantendo sua promessa de não lançar DLCs para comercialização à parte, fez um bom trabalho e a lição de casa foi feita ao ouvir os fãs. Acrescente a tudo isso a trilha sonora já característica que desperta qualquer ser humano e nos faz lembrar o quão bom é ter algo novo de Star Wars em mãos para ter boas horas de diversão nesse fim de ano ou até mesmo até o próximo lançamento. Se vale a compra? Isso depende de cada um, mas o que eu posso afirmar com segurança é que, se você já tem o seu, com certeza terá um bom retorno e não será uma experiência decepcionante.

Pra quem quiser saber mais das especificações técnicas do game, confiram minha análise no Gamerview. Só clicar aqui.

E não deixem de conferir a análise do livro Inferno Squad, pelo nosso editor Raul Maia, o devorador de livros. O vídeo está logo abaixo. Até a próxima!

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