Resenha – A Missão do Contrabandista

/ por Igor Oliveira /

 Logo após a destruição da Estrela da Morte, a Aliança Rebelde se prepara para deixar, às pressas, a 4ª lua ao redor do planeta Yavin. Depois de uma derrota fulminante como essa, as forças do Império Galáctico, que já conheciam o paradeiro de seus opositores, certamente se preparam para contra-atacar com todo seu poder. Como bem conhecemos esse é o contexto do final do quarto episódio da saga Star Wars, primeiro filme lançado nos cinemas norte-americanos em 1977. É exatamente nesse momento que começa a narrativa de A Missão do Contrabandista, livro lançado no Brasil e que faz parte do novo cânone da saga da família Skywalker.

Han Solo e Chewbacca já receberam os créditos pelo trabalho prestado aos rebeldes e também se preparam para partir. A Princesa Leia, no entanto, tem um último pedido à dupla: que resgatem um importante agente da Aliança, responsável pela prospecção de novos mundos a serem usados como bases e esconderijos para que a causa contra o Império continue viva. O tal sujeito é o Tenente Ematt, e seu grupo de atuação, os Picanços, acaba de ser localizado pelas forças imperiais, provocando sua fuga para Cyrkon, um planeta condenado por uma atmosfera tomada por gases venenosos, em que foi preciso estabelecer escudos protetores para que fosse possível a sobrevivência da população.

Depois de resistir um pouco e fazer um tanto de charme para Leia, Han topa a missão, segundo ele convencido por Chewie, e os dois partem para o resgate de Ematt. Da parte do Império é responsável pela captura do rebelde a comandante Alecia Beck, oficial determinada que perdeu o olho esquerdo e o substituiu por uma visão artificial com várias funcionalidades, o que a torna mais perigosa e intimidadora. Mas é claro que, como de costume, os dois contrabandistas mais famosos da galáxia não se contentam em ser perseguidos apenas pelo Império. Como estamos falando de um interlúdio entre os episódios IV e V da Trilogia Clássica, Jabba ainda quer a cabeça de Han e a festa é completada por quatro caçadores de recompensas de características diversas.

 A partir daí a trama segue muito dinâmica, o que não podia ser diferente em uma aventura de Han e Chewie. A história foi escrita por Greg Rucka, roteirista de HQs que já trabalhou em várias séries da DC e da Marvel, uma das suas mais longas contribuições sendo para histórias da Viúva Negra no início dos anos 2000. A experiência de Rucka com quadrinhos de ação garante o ritmo da história, que tem pouco menos de 200 páginas, mas como o tamanho da letra é, se não me engano, um 14, pense num livro convencional de cerca de 100 páginas. Ou seja, dá para ler rapidinho.

A editora responsável pelo lançamento é a Companhia das Letras, através do seu selo juvenil Seguinte. O número de páginas e tamanho de letras, bem como um layout com ilustrações (do artista Phil Noto), tem um motivo: trata-se de uma série para jovens leitores, que ainda tem mais duas histórias em outros livros, uma protagonizada por Luke e a outra por Leia. Há ainda um quarto livro, intitulado Antes do Despertar, em que conhecemos eventos das vidas de Rey, Finn e Poe Dameron pouco antes do Episódio VII.

   

Os desenhos de Noto, que já trabalhou na Disney com nada menos que o Rei Leão, são belíssimos, mas a disposição das ilustrações entre os capítulos da uma atrofiadinha na imaginação. Tenho que confessar que o que mais gosto lendo os livros de Star Wars é imaginar como são os cenários propostos.

Enquanto a Aleph vem publicando livros da série Legends e os romances, digamos, mais adultos do novo cânone, a Seguinte ficou com as edições para os leitores classificados nos EUA como ‘young readers’. Não desanime, no entanto, com a proposta. O livro não tem nada de infantil e a história é ótima. Os três livros da coleção trazem, assim como o romance Star Wars – Marcas da Guerra, o cabeçalho indicando que se trata de uma ‘Jornada para Star Wars: o Despertar da Força’. Os lançamentos da Seguinte têm ainda, na quarta capa, uma sinalização de pistas escondidas que dão dicas para o Episódio VII.

Não preciso contar spoiler para dizer que há sim alguma conexão com o agora conhecido tempo presente da saga, mas não é nenhuma revelação bombástica, e isso também não tira a graça do livro. Tem bastante gente que espera informações novíssimas das histórias do Universo Expandido de Star Wars, o que não é problema, mas também acho bacana que muitas sejam apenas histórias divertidas, que complementem a nossa experiência com a saga, ainda mais quando se trata da dupla Han & Chewie no auge de sua performance.

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