Do U.E. para as Telas: 9 coisas que o George Lucas não criou

George Lucas pode até ter criado Star Wars, mas vocês sabiam que tem coisas que ele aproveitou dos livros, jogos, quadrinhos em seus filmes de Star Wars? E a partir dai esses itens passaram a fazer parte do “canonico” de Star Wars.

“Canonico”, para quem não está familiarizado com o termo, se refere a parte oficial de Star Wars, ou seja, os filmes, The Clone Wars e The Force Unleashed I (apenas o I é canonico). E onde está o meio termo? Vamos lá, um Fan Fiction é totalmente não-oficial, Episódio IV, por exemplo, é 100% oficial, e o Universo Expandido é o meio termo.

E teve muito material do Universo Expandido que virou oficial, seguem agora os maiores exemplos disso:

1. Coruscant

star-wars-eu-canon-coruscantA primeira vez que a Capital da Republica foi mencionada em um filme de Star Wars foi em 1999, em “A Ameaça Fantasma”. Mas esse não era o nome que George Lucas tinha para a Capital. Se olhar os primeiros esboços de “O Retorno de Jedi”, Lucas chamava a Capital de “Had Abbadon”. Quem batizou a Capital de Coruscant foi Timothy Zahn na Trilogia de Thraw, não só batizou a Capital como a descreveu como uma cidade do tamanho de um planeta, completamente coberto de tecnologia e avanços científicos. Lucas então abandonou seus planos por Had Abbadon e usou a idéia de Timothy Zahn – principalmente pela popularidade da trilogia escrita por Zahn, e porque ele gostou mais do que a idéia original dele.

Com o passar dos anos, vários detalhes da idéia de Had Abbadon surgiram, que muito se assemelham a Coruscant, mas com algumas diferenças na história e mitologia do planeta. Uma das lendas diziam que a Ordem Jedi havia nascido em Had Abbadon. (Alguns desses elementos foram reciclados recentemente quando um mundo chamado Had Abbadon surgiu na série Star Wars Legacy).

Os planos originais de Lucas para Had Abbadon incluiam ainda duas Estrelas da Morte circulando o planeta, fora uma lua natural. Essa lua tinha o nome original de Jus-Endor, que depois foi diminuída para Endor. Sim, é isso mesmo que vocês entenderam, o Endor original iria orbitar a capital. O Trono do Imperador seria nos níveis mais inferiores do planeta, e ainda seria todo cercado por um lago de lava. Luke Skywalker iria enfrentar seu pai, Darth Vader, na beira deste lago. Apesar de muito ter mudado na versão final de “Retorno de Jedi”, Lucas reciclou a idéia da lava e criou Mustafar, e colocou a batalha final de Anakin e Obi-Wan ali.

2. Aurebesh

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Nunca ouviu falar de Aurebesh? Normal, muita gente não. Muitos fãs de Star Wars sabem que a linguagem falada na galáxia é o Basic. Aurebesh é a forma escrita de Basic. Consiste de 34 letras e várias pontos de marcação.

A Trilogia Clássica raramente mostra algo escrito, e quando mostra – como palavras em uma tela de computador – é uma série de desenhos randomicos sem qualquer significado. Aurebesh vem do Universo Expandido em 1987, do livro Star Wars: The Roleplaying Game. O pessoal da West End Games criou o alfabeto para o jogo de RPG.

Enquanto a Trilogia Clássica não tinha isso, George Lucas trouxe isso para a Nova Trilogia, e depois nas remasterizações da Trilogia Clássica, depois de ver isso nos livros e quadrinhos e gostar. The Clone Wars é cheio deste alfabeto.

3. A Legião 501

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Acho que a Legião 501 é possivelmente a maior organização de fã do mundo, para quem não conhece o 501 é um grupo de fãs que ama fazer cosplay dos soldados e do Império. Aparecem em diversos eventos de Star Wars, bem como convenções, eventos de caridade.

O 501 foi fundado em 1997 por Albin Johnson. Sete anos depois, Timothy Zahn o honrou no livro “Survivor’s Quest”. Eles também fizeram parte do jogo Star Wars: Battlefront II. Mas a canonização oficial veio em 2004, com “A Vingança dos Sith”. O nome do batalhão não foi citado no filme, mas apareceu em todos os materiais de marketing, créditos, brinquedos e etc. e todos referenciando à tropa de clones que ajudou Anakin no massacre do Templo Jedi.

Depois disso, o 501 ainda apareceu em histórias em quadrinhos, e no desenho The Clone Wars.

4. Quinlan Vos

star-wars-eu-canon-quinlan-vosO Universo Expandido tem a tendencia de pegar algumas coisas dos filmes – seja um planeta, uma arma, um veículo, ou neste caso, um personagem – e criar uma elaborada história em volta dele que explica quem ele é ou o que ele é. Às vezes isso não dá certo, mas quando acerta.

Esse é o caso de Quinlan Vos (meu personagem preferido de Star Wars, diga-se de passagem). A primeira aparição de Vos foi em “A Ameaça Fantasma”, mas não passava de um figurante em uma das cenas de Tatooine – e a grande maioria das pessoas sequer percebeu sua presença ali. Um ano depois do filme, o escritor John Ostrander e o artista Jan Duursema estrearam Vos na revista mensal Star Wars: Republic. Os dois ficaram procurando nas cenas de “A Ameaça Fantasma” por um personagem que pudessem usar, então quando viram o “figurante” pediram a Lucas se podiam usar o carinha com Dreadlocks e tinta amarela nos olhos e na face, e receberam o sinal verde.

Eles deram a ele o nome de Quinlan Vos e criaram o personagem completamente, que estreou na edição 19 da revista em quadrinhos. Ele teve um começo bem tumultuado, já que na primeira história ele acorda totalmente sem memória. Ostrander e Duursema fizeram dele um Cavaleiro Jedi (entretanto o que ele estava fazendo em Tatooine ao mesmo tempo em que Obi-Wan Kenobi e Qui-Gon Jinn nunca foi explicado), mas também fizeram dele um Cavaleiro Jedi um tanto quando fora do ortodoxo, já que ele flertou várias vezes com o Lado Negro.

O personagem cresceu muito em popularidade com os fãs, fazendo aparições em outros revistas de Star Wars, fora a série Republic. George Lucas amou o personagem e canonizou ele em uma cena de “A Vingança dos Sith”, mas a cena acabou sendo cortada. Mas mesmo assim, “Mestre Vos”, ainda é mencionado em um dos diálogos do Obi-Wan (para meu delirio).

Vos ainda foi eternizado com personagem a partir da terceira temporada de The Clone Wars, lutando junto com Obi-Wan Kenobi.

5. As Nighsisters de Dathomir

star-wars-eu-canon-nightsisters-of-dathomirAs Nighsister são um grupo de bruxas que usam o Lado Negro da Força para alimentar seus poderes, e elas vem de um mundo chamado Dathomir. Mas, tanto Dathomir quanto as Nighsisters vieram do livro de Dave Wolverton, The Courtship of Princess Leia, lançado em 1994, e neste livro elas eram chamadas apenas de Bruxas de Dathomir.

As personagens se espalharam por diversos livros e revistas em quadrinhos, mas sua canonização veio no desenho The Clone Wars, quando foi revelada a origem da Asajj Ventress, como sendo uma Nightsister. Até mesmo o planeta natal Dathomir foi incluido e ganhou mais relevancia quando foi mostrado que Darth Maul nasceu lá, sendo parte dos “NightBrothers”, o braço masculino da organização.

6. Level 1313

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Segundo dizem as lendas, o Level 1313 é a fonte de influencia da séria de TV Star Wars Underworld, que nunca aconteceu. Depois de alguns anos de especulação sobre o Level 1313, este submundo criminal de Coruscant acabou por virar um jogo de Videogame, Star Wars 1313. Aqui foi a primeira vez que esse submundo criminal foi chamado pelo nome, mas infelizmente o jogo, até o momento, se encontra cancelado. Mas a história do Level 1313 não acabou aqui.

O último arco de The Clone Wars, canonizou o Level 1313 fazendo com que Ahsoka Tano, em sua fuga e procura de provas da sua inocencia visita-se o Level 1313, e o design no desenho já era inspirado no que seria visto no jogo. Acredito que ainda vamos ouvir falar do Level 1313 no futuro.

7. Ayala Secura

star-wars-eu-canon-aayla-securaQuase como Quinlan Vos, mas com uma pequena diferença, ela foi criada nos quadrinhos e ganhou as telas. Aayla Secura foi criada também por John Ostrander e o artista Jan Duursema na revista Star Wars: Republic. Ela fez a sua estreia duas edições depois da estréia de Quinlan Vos, e depois foi explicado que ela era a Padawan do mestre Vos.

George Lucas então viu essa imagem acima, de Jon Foster, e amou a personagem, e tanto que incluiu ela na batalha de Geonosis em “O Ataque dos Clones”, e depois em “A Vingança dos Sith” em Felucia durante a Ordem 66. Ela também apareceu em jogos, quadrinhos e na série The Clone Wars.

8. Force Speed e Force Grip

star-wars-eu-canon-force-gripO Force Speed surgiu também no Star Wars: The Roleplaying Game da West End Games em 1987, e fez a sua estréia real em 1997 no jogo Star Wars: Dark Forces II – Jedi Knight. Junto com o Force Speed, o Force Grip também estreou neste jogo. Vale lembrar, que o Force Grip que estamos falando aqui não é o simples ato de sufocar, mas sufocar, suspender no ar e arremessar.

George Lucas trouxe para o Canonico o Force Speed em “A Ameaça Fantasma”, quando Obi-Wan e Qui-Gon usam o poder. E o Force Grip em “A Vingança dos Sith” quando o Conde Dooku pega o Obi-Wan e aplica o Force Grip nele.

9. Rishi

star-wars-eu-canon-rishi-mazeO segundo livro da trilogia de Thraw, de Timothy Zan, Dark Force Rising, introduziu o planeta Rishi como a base do contrabandista Talon Karrde e sua segunda-em-comando, Mara Jade.

Em “O Ataque dos Clones”, o planeta Rishi foi canonizado quando foi colocado próximo a Kamino em uma área do espaço chamada “Rishi Maze”. Apesar dos filmes nunca explicarem o que era o labirinto Maze, nós sabemos pela obra de Timothy Zahn que era um grupo de planetas inabitados, no qual Rishi é um deles.

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Isso é a prova que George Lucas não tem problemas em usar coisas do Universo Expandido, e espero que a Disney também saiba beber desta fonte e aproveitar materiais fantásticos que temos ali.

Traduzido e adaptado do ForeverGeek por Sérgio “Quinlan Vos” Lopes

One response

  1. Legal o texto. Mostra que o EU tem muita coisa boa a oferecer. Torço para que a Disney aproveite o que já foi criado.

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